nadie dijo que iba a ser fácil, repite ella seis veces antes de voltearse otra vez sobre la cama. la cama. la cama que ella misma compró hace un año. las sábanas que ella misma eligió y pagó con su propio dinero. las almohadas. ahhh como son buenas sus almohadas de astronauta rojas. su lindo, apachurrable y confortable par de almohadas (el perro insiste en acostarse contra las almohadas, a ella no le gusta). le gusta el olor de naranja con pimienta que conserva en la habitación. le gustan sus mesitas de luz, su mesita de pié con los cajones de cartón, sus objetos de decoración brancos, rojos, negros y rosas. ella misma hizo todo. le gusta su habitación.
no le gusta el calor. el calor de febrero de buenos aires es insoportable. no le gusta porque casi no puede respirar. abre las ventanas de toda la casa. falta el aire. falta el aire. nadie dijo que iba a ser fácil, pensa. pensa esto y cambia otra vez de posición en la cama - la cama que ella misma eligió, su cama, su imensa, confortable y adorable cama. mira hacia la maleta, vacia. piensa. la vida. vacia. maleta. la vida ya no entra en la maleta. necesitaría unas siete de estas. que fiaca tener cosas, piensa. que lindo tener cosas, llora.
recién pudo decorar la contraseña del wifi. recién aprendió el nombre de la portera. se culpa por no prestar atención a los detalles. nadie dijo que iba a ser fácil, suspira mirando a la foto con todos los amigos. mira la maleta vacia. mira los amigos llenos. mira el reloj. una de la mañana. a la mierda, piensa. nadie dijo que. nadie dijo que iba. apaga la lampara. duerme
15 de fevereiro de 2012
8 de fevereiro de 2012
maligno gênio enganador
até quando? - perguntamo-lhe nos, os desacreditados, os mutilados, os escalavrados e abandodados do amor.
até que me permita sonhar. - responde ele, tão rude, tão sério, tão ingênuo e tão fiel, baixando levemente o rosto e olhando para trás do próprio ombro direito, retomando o pincel, farto de nossas presenças.
no entanto, pressente-se o risco - um concluio, uma trapalhada - e compreende-se a prudência de Freud.
22 de outubro de 2010
um poço de sen-si-bi-li-da-de
Vinha caminhando pra casa e pensando nas coisas mais pensantes que uma guria pode pensar em um dia de tpm. Inclusive sobre se sou realmente uma guria (¿?). Não que talvez seja um guri, mas nessas de estar uma semana longe de completar 25 anos de sonhos, sangue e américa do sul (aguante os trocadilhos, é a tpm sentimental cortando todo o astral, recomendo abandonar o post agora) parece que já devo plantearme como mulher-adulta-e-responsável-pela-própria-vida.
Chegou então a tão esperada sexta, quase grudada com a segunda, despegada da semana que você não viu passar mais que teve um MONTE de coisas. Você deu bronca, levou bronca, teve reuniões importantes, pagou o aluguel em dólares, conheceu gente nova, pintou as unhas de azul, usou açafrão pra temperar, experimentou um novo perfume, arrumou a cama todos os dias, pensou bastante antes de falar, falou sem pensar, enviou emails de adulto, descobriu que algumas pessoas realmente te consideram chefe, o seu chefe falou coisas legais pra você, você dormiu cedo, tarde, não dormiu, conheceu o detetizador mais bonito das américas, salvou um bezouro, sonhou que tinha um filho, sonhou que estava colecionando cocaína, pensou pelo menos cinco vezes em convidar alguém pro cinema, não convidou. Depois de caminhar fazendo a retrospectiva da semana você decide pegar um táxi, porque esta cansada. Olha os e-mails e tem três convites para festas: show da banda de um velho conhecido portenho em san telmo; sair pra ver moços bonitos com duas amigas legais; balada de pegação. Você quase chora, porque está com tpm, tem quase 25 anos, paga as suas contas, trabalha duro, sai todos-os-dias-da-semana e está a ponto de topar qualquer programa só pra não ficar sozinha em casa pensando em si mesma e em tudo o que poderia estar sendo e não está. Você chega em casa e no celular velho tem uma mensagem de alguém que gosta de você e quer te ver. Mas você não quer porque você não acha legal essa coisa de ver as pessoas só por necessidades físicas. Você está com tpm e quer atenção e não quer ter de se preocupar em causar dano. Você está mais gorda que o normal, as suas roupas e o seu cabelo estão horríveis, suas unhas não prestam, seu all star está furado mas você não quer MESMO começar a usar sapatos de adultos. É sexta e você está acabada, vai dormir antes das nove porque ninguém disse que os gênios são perfeitos e todo mundo sabe que eles, definitivamente, não tem o hábito de te surpreender.
Chegou então a tão esperada sexta, quase grudada com a segunda, despegada da semana que você não viu passar mais que teve um MONTE de coisas. Você deu bronca, levou bronca, teve reuniões importantes, pagou o aluguel em dólares, conheceu gente nova, pintou as unhas de azul, usou açafrão pra temperar, experimentou um novo perfume, arrumou a cama todos os dias, pensou bastante antes de falar, falou sem pensar, enviou emails de adulto, descobriu que algumas pessoas realmente te consideram chefe, o seu chefe falou coisas legais pra você, você dormiu cedo, tarde, não dormiu, conheceu o detetizador mais bonito das américas, salvou um bezouro, sonhou que tinha um filho, sonhou que estava colecionando cocaína, pensou pelo menos cinco vezes em convidar alguém pro cinema, não convidou. Depois de caminhar fazendo a retrospectiva da semana você decide pegar um táxi, porque esta cansada. Olha os e-mails e tem três convites para festas: show da banda de um velho conhecido portenho em san telmo; sair pra ver moços bonitos com duas amigas legais; balada de pegação. Você quase chora, porque está com tpm, tem quase 25 anos, paga as suas contas, trabalha duro, sai todos-os-dias-da-semana e está a ponto de topar qualquer programa só pra não ficar sozinha em casa pensando em si mesma e em tudo o que poderia estar sendo e não está. Você chega em casa e no celular velho tem uma mensagem de alguém que gosta de você e quer te ver. Mas você não quer porque você não acha legal essa coisa de ver as pessoas só por necessidades físicas. Você está com tpm e quer atenção e não quer ter de se preocupar em causar dano. Você está mais gorda que o normal, as suas roupas e o seu cabelo estão horríveis, suas unhas não prestam, seu all star está furado mas você não quer MESMO começar a usar sapatos de adultos. É sexta e você está acabada, vai dormir antes das nove porque ninguém disse que os gênios são perfeitos e todo mundo sabe que eles, definitivamente, não tem o hábito de te surpreender.
13 de outubro de 2010
Vida Privada
- Eu te conheço há 10 meses.
- ãh?
- É que eu lia o teu blog... Eu comecei a ler por causa daquele post dos Antecedentes Criminais...
Imaginem que você se acha espertinha porque colocou no Google o nome de uma pessoa que vai entrevistar no trabalho, ela é excelente, você contrata ela e depois descobre que ela sabia mais de você do que você dela. Medinho, né? Baita motivo pra pensar sobre a existência do Tramela. Imagina se eu fico famosa? Aí vão lá vasculhar meu ano de 2007 e descobrem que eu escrevi nuvem com acento. IMAGINE?
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11 de outubro de 2010
Tomates Loucos
Fiz pública a minha fobia por tomates. Pronto. Eu odeio tomates, eu tenho MEDO de tomates. Estou há quase 20 anos me controlando com relação a isso e já não aguento mais.
Abrir meu coração aos amigos e colegas de trabalho nesse feriado me fez entender uma coisa: pode ser que a fobia venha do maldito filme dos Tomates Assassinos, porque eu via o cine trash da band quando tinha 5, 6 anos. A questão é que inconscientemente desvio a gôndola dos tomates no supermercado, evito ter de cortá-los, suspiro muito quando preciso fazer isso. Não como pizza com rodelas de tomate. Vomito se meto um tomate cru na boca. Poderia morrer se chegasse a pusar em um tomate na rua. ODEIO cheiro de tomate cru. Pronto. Não quero nem falar sobre aquelas sementinhas repugnantes.
Leve Desespero
Não tinha o hábito de esperar muito, mas sempre terminava esperando. Esperava mesmo quando dizia que não ia esperar, mesmo quando usava qualquer oportunidade para explicar que não gostava mesmo de esperar, que era impaciente, que era impulsiva, que era mais rápida que o "normal".
Um certo dia resolveu esperar, viu que se parecesse desesperada, daquele mato não saia o coelho. Então esperou. Esperou. Esperou. Esperou. Dizem que continua esperando, mas que meio desesperada - desesperada para dentro.
Um certo dia resolveu esperar, viu que se parecesse desesperada, daquele mato não saia o coelho. Então esperou. Esperou. Esperou. Esperou. Dizem que continua esperando, mas que meio desesperada - desesperada para dentro.
4 de outubro de 2010
Ensaio sobre a minha paciência.
Sabe a moça que espera na janela, com a flor no cabelo, toda donzela: essa não sou eu. A moça que tem todo o tempo do mundo, que dorme cedo, que bebe chá de canela: tampouco. A moça que aceita, que entende, que pondera: wtf?
Eu sou a guria ansiosa, a moça travessa, a mulher de€£@1%". Eu uso rimas pobres quanto tenho vontade e calculo tudo, absolutamente tudo, quando atiro o coração pra frente e caminho ligeiro para buscar. Eu calculo até o tempo que você pode demorar para atirar o seu e, se considerar que é muito, saio correndo para resgatar o meu - eu não vou deixar ele esfriar, eu não vou deixar ele batendo fora de mim se você não estiver disposto a acelerar o passo para agarrar e tomar conta dele por algum tempo.
Sei exatamente o que você está pensando, sempre. Eu sou maga - disse uma bruxa. Bú.
Eu sou a guria ansiosa, a moça travessa, a mulher de€£@1%". Eu uso rimas pobres quanto tenho vontade e calculo tudo, absolutamente tudo, quando atiro o coração pra frente e caminho ligeiro para buscar. Eu calculo até o tempo que você pode demorar para atirar o seu e, se considerar que é muito, saio correndo para resgatar o meu - eu não vou deixar ele esfriar, eu não vou deixar ele batendo fora de mim se você não estiver disposto a acelerar o passo para agarrar e tomar conta dele por algum tempo.
Sei exatamente o que você está pensando, sempre. Eu sou maga - disse uma bruxa. Bú.
2 de outubro de 2010
Des-Ansiedade
Domar os próprios ímpetos num exercício de re-descobri-nasci-mento: outra dela no mesmo corpo, apenas paciente. Paciente dela mesma? Domar os próprios ímpetos, conter, abafar a intensi-ansi-edade própria dela. Outra dela: tranquila. Contando nos dedos todos os minutos que faltam para o que quer que seja, tomando um chá, imaginando campos amarelos, pensando em nada.
Viver tem que ser perturbador? Sempre desprezou as coisas mornas. Agora sente que falta apenas o golpe da magia, da graça.
Viver tem que ser perturbador? Sempre desprezou as coisas mornas. Agora sente que falta apenas o golpe da magia, da graça.
A coragem não afasta a ansiedade. Uma vez que a ansiedade é existencial, não pode ser afastada. Mas a coragem incorpora a ansiedade de não-ser dentro de si. Coragem é auto-afirmação "a despeito de", a saber: a despeito de não-ser. Aquêle [sic] que age corajosamente toma, em sua auto-afirmação, a ansiedade de não-ser sôbre [sic] si mesmo.
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29 de setembro de 2010
Pré
Um jeito todo único de segurar a mão na hora de dar tchau. Segurar a mão e ir deslizando os dedos até a pontinha para aproveitar o último contato. Um jeito de abraçar pela cintura quase sem querer, pedindo licença pra passar. Um jeito de desviar os olhos para os peitos como se tivesse 16 anos. Talvez não querendo olhar para os peitos, mas protegendo os olhos de pensamentos imprecisos. Talvez precisos. Um jeito secreto e querido.
27 de setembro de 2010
Os Culpados pelo Descaso.
Se você é meu colega de trabalho mas não é daqueles com quem comparto o café na terraza (sim, porque é impossível conhecer as duzentas pessoas que se ploriferam a cada dia na firma querida), ex-colega de trabalho, conhecido da faculdade, conhecido da pós, achou meu nome do google e pensou que era bonito, se você é alguém que fala comigo por e-mail por motivos laborais, se você gostaria de me oferecer um emprego em Nova Iorque ou se apenas me confundiu com a Carla Arend phina da Dinamarca (principalmente, se você é meu chefs), meu amigo, saiba que você é uma das pessoas que reprimem as minhas escrituras.
Oh sim! Graças a você (e a vocês três aí do Japão que ficam lendo içaqui) é que eu escrevo e apago e passo a tinta da invisibilidade e amasso papéis e rascunho poemas em guardanapos e pinto com bic e desenho no espelho do banheiro depois de sair do banho. Sim senhor, você, você que me chama no Google e cai no Tramela é quem anda manipulando estes posts que queriam ser bem sem vergonhas e, às vezes, bem mais docinhos.
pd.: mas eu gosto de tudo vocês.
Oh sim! Graças a você (e a vocês três aí do Japão que ficam lendo içaqui) é que eu escrevo e apago e passo a tinta da invisibilidade e amasso papéis e rascunho poemas em guardanapos e pinto com bic e desenho no espelho do banheiro depois de sair do banho. Sim senhor, você, você que me chama no Google e cai no Tramela é quem anda manipulando estes posts que queriam ser bem sem vergonhas e, às vezes, bem mais docinhos.
pd.: mas eu gosto de tudo vocês.
22 de setembro de 2010
A Maquiagem que Sorri
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20 de setembro de 2010
He's Just Not That Into You
Foi eleita a comédia romântica do ano.
:)
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Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
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Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
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19 de setembro de 2010
Resumen Findesemanal
Fim de semana da fiaca, como dizem por aqui. Depois de uma sexta-feira atípica - chegando pra trabalhar uma hora antes por uma leve confusão cronológica e inusual disfunção hormonal - o sábado e o domingo foram da cama para o sofá e do sofá para a cama. Ontem eu li vários contos, alguns do Borges, fazia tempo. Descobri que do lado esquerdo da minha cama, entre o janelão e a cama, tem espaço perfeito pra um corpo, um travesseiro e um livro, e, se abrir a janela, fico como se o corpo estivesse flutuando, não fossem as grades a gente caía. Enfim, descobri um bom lugar para ler dentro do meu próprio quarto e ocupei-o bastante entre o sábado e domingo. Teve festinhas de aniversário e uma celebração social ontem à noite onde escutei casos absurdos de pessoas que não tiveram êxito com sexo anal - teve um casal que foi parar no hospital de perrito, como dizem por aqui. Achei engraçado e não fiquei curiosa. Depois ficamos até seis da manhã de pijamas conversando sobre cirurgias plásticas, tirar peitos, colocar peitos e blah. Também falamos de maquiagem, descobri uma Base Foundation da Vichy que rejuvenesce uns 4 anos!
Nada mais. Queria deixar um beijo pro meu irmão que está de aniversário hoje e não atendeu o telefone em nenhuma das 17 vezes que tentei ligar. Eu te amo igual.
Fica uma parte bonita das partes bonitas do Borges ;)
Yo no hablo de venganzas ni de perdones; el olvido es la única venganza y el único perdón"- Jorge Luís Borges
Senhoras e Senhores
Muito boa noite.
Estou aqui, porque cheguei.
Não digo nada, porque eu não sei.
Eu vim de ônibus, porque eu paguei.
Tenho dito.
Estou aqui, porque cheguei.
Não digo nada, porque eu não sei.
Eu vim de ônibus, porque eu paguei.
Tenho dito.
Por que você se leva tão a sério?
Tudo é tão correto pra você. Não vejo mal algum em se incomodar, mas tire proveito e faça direito o que lhe couber. É quase nada, para mim ainda é um mistério. É tão somemente alguma fase-errada. Por que você se leva tão a sério?
Ludov incentivando os pensamentos mulherzinha.
_
E no seu apartamento, ela se esquecia de tudo. Não havia contratempo. Ela segurava o seu coração e largava as roupas pelo chão. A semana toda ficou para trás, ela tem trabalhado demais. Como seria melhor se não houvesse refrão, mas há.Ludov incentivando os pensamentos mulherzinha.
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